A verdade é inegociável!

Ao contemplar a palavra verdade, vem à tona na mente algo que é e não pode deixar de ser, isso numa perspectiva filosófica; já no viés teológico, a verdade é Cristo, ou seja, a Verdade por excelência. Ao conjugar a Filosofia com a Teologia, vai-se formulando uma ideia de verdade como algo absoluto e que não pode ser negociável.

Quando um jovem entra no Seminário para trilhar um caminho de formação para o sacerdócio, ele estuda duas ciências, Filosofia e Teologia, com o intuito de compreender as verdades de fé e estar, conforme a Primeira Carta de Pedro, sempre pronto a dar, a quem o pedir, as razões dessa mesma fé. Afirmava São João Paulo II, na carta encíclica Fides et Ratio (1998, n 1): “A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”. Fé e Razão, diga-se Teologia e Filosofia, estas não andam dissociadas, mas se unem e apoiam o homem na busca pela verdade.

Mas não são tão somente as verdades de fé que não podem ser negociadas, apoiadas nas ciências teológica e filosófica, mas sim toda e qualquer verdade. Isso implica dizer que a mentira não cabe em lugar algum. Mentir é, por sua vez, uma agressão séria ao cumprimento da verdade. O Catecismo da Igreja Católica, citando o Evangelho de Jo 8,44, afirma que o diabo é o pai da mentira. Se a verdade é divina, a mentira é naturalmente diabólica. É por isso que ela é condenável. “A mentira é, por sua natureza, condenável. É uma profanação da palavra, a qual tem por fim comunicar aos outros a verdade conhecida. O propósito deliberado de induzir o próximo em erro, por meio de afirmações contrárias à verdade, constitui uma falta contra a justiça e contra a caridade. A culpabilidade é maior quando a intenção de enganar pode ter consequências funestas para aqueles que são desviados da verdade” (Catecismo da Igreja Católica, 2485).

Desviar-se da verdade, conforme orienta a Igreja, traz consequências sérias. Por exemplo: um jovem, ou qualquer cristão que invente uma mentira contra alguém, não somente cria uma vítima de algo imaginário, que nunca existiu, como também, quando a verdade vier à tona, caindo por terra toda a falsa imagem do que foi dito, ninguém dará crédito à sua palavra, e as suas relações sociais estarão para sempre fragmentadas. Por isso, é importante a pergunta: vale a pena mentir? Com certeza, não! As relações fraternas e amigáveis têm como pauta a verdade e nunca a mentira. Não se iluda: a mentira fere não somente a pessoa agredida, mas também o agressor, o mentiroso, e assim é que surgem as divisões. “A mentira, porque é uma violação da virtude da veracidade, é uma autêntica violência feita a outrem. Este é atingido na sua capacidade de conhecer, a qual é condição de todo o juízo e de toda a decisão. A mentira contém em gérmen a divisão dos espíritos e todos os males que a mesma suscita. É funesta para toda a sociedade: destrói pela base a confiança entre os homens e retalha o tecido das relações sociais” (Catecismo da Igreja Católica, 2486).

Às vezes, ouvem-se jovens comentar, no ditado popular: “A mentira nunca, mas a verdade nem sempre!”. É preciso muito cuidado com essa afirmação. Se não é um conteúdo que esteja inserido no sigilo sacramental da Confissão, ou em algum segredo de justiça, ou ainda algo que vá prejudicar a outrem, a verdade deve ser dita, sim, mas a verdade com caridade. A verdade com caridade forma; a verdade sem caridade deforma. Um pai que vê o filho praticando algo de errado deve adverti-lo com caridade, sabendo dizer uma palavra que o eduque, que o faça refletir sobre suas ações, a fim de não mais praticar aquela falta. Um pai que verdadeiramente ama faz isso. O contrário, o pai que não corrige ou que corrige com violência, é quase certo que o filho não o escutará e permanecerá no erro. Corrigir com caridade é pautar uma conduta baseada na verdade. E mais: se quem ama não corrige, o mundo haverá de corrigir, por bem ou por mal.

Portanto, pensando em Cristo, que é a verdade maior, você, como cristão, não pode negociar a verdade e cair na mentira, porque não há outro caminho: verdade é verdade, e mentira é mentira. Quem caminha na e pela verdade terá ela como luz e viverá bem consigo e com os outros; quem fere a verdade e se associa à mentira terá a mentira como guia, e os caminhos estarão sempre turvos em suas relações sociais, porque toda mentira tem como instrutor o demônio. Em suma, a verdade é inegociável! Pense nisso e viverás bem!

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