O Catecismo da Igreja Católica orienta que, para viver uma vida casta, a pessoa necessita da pureza de coração que, por sua vez, exige o pudor. Porém, nem todas as pessoas, sobretudo os jovens, compreendem o que vem a ser o pudor em seu pleno significado e, por isso, não o colocam em prática.
Na sociedade contemporânea, fortemente marcada pelas ideias do amor líquido, como afirma o pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, falar de realidades sólidas, como o pudor, é certamente nadar contra a maré. Entretanto, isso não deve causar espanto, mas despertar o jovem cristão a ser, de fato, fermento na massa, crendo firmemente nas palavras-testemunho do apóstolo Paulo, um homem verdadeiramente convertido ao cristianismo, que viveu em si a dualidade entre ser do mundo e ser para Deus: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito” (Rm 12,2).
Partindo desse princípio, viver para Deus significa conduzir uma vida marcada pela pureza de coração e pelo pudor, estando no mundo, mas não pertencendo ao mundo.
Sobre o pudor, assim o define o Catecismo da Igreja Católica no número 2521: “O pudor preserva a intimidade da pessoa. Designa a recusa de mostrar o que deve ficar oculto. Ordena-se à castidade e comprova-lhe a delicadeza. Orienta os olhares e as atitudes em conformidade com a dignidade das pessoas e com a união que existe entre elas.”
Ainda segundo o Catecismo da Igreja Católica, no número 2522: “O pudor protege o mistério da pessoa e do seu amor. Convida à paciência e à moderação na relação amorosa e exige que se cumpram as condições do dom e do compromisso definitivo do homem e da mulher entre si. O pudor é modéstia. Inspira a escolha do vestuário, mantém o silêncio ou o recato onde se adivinha o perigo de uma curiosidade malsã. O pudor é discrição.”
Percebe-se, portanto, que o pudor preserva a dignidade da pessoa. Para que alguém seja visto e reconhecido, não é necessário revelar sua intimidade; pelo contrário, a beleza de uma pessoa está também na capacidade de guardar aquilo que lhe é valioso e discernir o tempo certo para cada coisa. Dessa forma, aquilo que possui valor jamais perderá sua verdadeira importância.
É comum observar, no jovem contemporâneo e até mesmo em adultos, atitudes de exibicionismo que ferem o pudor e, consequentemente, a pureza à qual Jesus chama a viver: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8).
Como exemplo de atitudes exibicionistas, basta circular pelas grandes cidades e perceber a quantidade de outdoors que expõem pessoas para vender produtos ou mesmo propagandas veiculadas em períodos como o Carnaval. Nas academias, parece que algumas pessoas não treinam apenas para adquirir condicionamento físico, mas também para exibir suas performances corporais. Nas conversas, por vezes, observa-se a necessidade de recorrer a conteúdos pejorativos para chamar a atenção, ferindo o pudor das palavras. Nas mídias digitais, essa realidade torna-se ainda mais evidente: há uma exposição intensa da interioridade das pessoas, como se algo tão íntimo estivesse disponível para ser comercializado. São constatações preocupantes.
Diante dessa realidade, a Igreja afirma ser necessário um pudor dos sentimentos, isto é, a capacidade de indignar-se diante dessas e de outras formas de exibicionismo e, por meio de um autêntico testemunho de vida, posicionar-se de maneira contrária a tais práticas.
Afirma o Catecismo da Igreja Católica, no número 2523: “Existe um pudor dos sentimentos, tal como existe um pudor corporal. Ele protesta, por exemplo, contra as explorações exibicionistas do corpo humano em certa publicidade ou contra a solicitação de certos meios de comunicação em ir longe demais na revelação de confidências íntimas. O pudor inspira um modo de viver que permite resistir às solicitações da moda e à pressão das ideologias dominantes.”
Tendo consciência de que a pureza exige o pudor, é importante perguntar: aquilo que tenho falado, a maneira como tenho me vestido, o que tenho olhado e a forma como tenho me comportado, tanto na vida real quanto na virtual, revelam a vontade de Deus para mim ou me aproximam cada vez mais das lógicas do mundo?
Lembre-se, portanto: aquilo que existe de mais precioso só continuará sendo verdadeiramente valioso se houver a capacidade de preservá-lo por meio do pudor. Assim, viverás também na pureza e em conformidade com a vontade de Deus.