A História da Catedral de Nossa Senhora Do Patrocínio de Jaú

A história da Catedral de Nossa Senhora do Patrocínio confunde-se com a própria origem da cidade de Jaú (SP). Em meados do século XIX, as famílias da região precisavam percorrer cerca de cinquenta quilômetros em trilhas abertas na mata até Brotas (SP) para participar dos atos religiosos. Diante dessa dificuldade, em 1853 moradores reuniram-se para fundar um povoado às margens do rio Jaú e erguer uma capela e um cemitério em terras doadas por Francisco Gomes Botão e pelo tenente Manoel Joaquim Lopes.

A primeira capela, simples construção de pau-a-pique coberta com folhas de jeribá, teve sua primeira Missa celebrada em 15 de agosto de 1853, Dia da Assunção, pelo Padre Francisco de Paula Camargo. Bento Manoel de Moraes Navarro trouxe de Itu (SP) a imagem de Nossa Senhora do Patrocínio, que se tornou o símbolo da fé do novo povoado.

Com o crescimento da comunidade, novas capelas foram erguidas. Em 1856, a capela foi declarada curada e Jaú tornou-se distrito. Em 1868, iniciou-se a construção de um templo de tijolos, financiado por doações, impostos municipais e recursos do governo provincial. Concluído em 1888, logo se tornou pequeno para a cidade em rápida expansão, impulsionada pela cafeicultura, pela chegada da ferrovia em 1887 e pela imigração europeia.

No fim do século XIX, Jaú já era um dos principais polos cafeeiros do Estado e contava com mais de 25 mil habitantes. Decidiu-se, então, pela construção de um novo templo à altura do progresso da cidade. A pedra fundamental foi lançada em 24 de novembro de 1895, segundo projeto do engenheiro belga João Lourenço Madein. O edifício, em estilo gótico e planta em forma de cruz, foi tratado pela imprensa como verdadeira catedral.

A nova matriz foi inaugurada em 9 de junho de 1901, ainda inacabada, e concluída definitivamente em 1905. Com torre de sessenta metros, vitrais monumentais, nave abobadada e dimensões imponentes tornou-se um dos mais notáveis templos do interior paulista. A cruz iluminada na torre marcou Jaú como uma das cidades pioneiras na eletrificação.

Ao longo do século XX, a catedral recebeu importantes obras artísticas, como as pinturas de Orestes e Bruno Sercelli, Carlos De Servi e, posteriormente, do casal Américo e Eva Makk. Em 1915 foi instalado um grande órgão alemão e, em 1954, um carrilhão de cinco sinos.

Até hoje, a imagem original de Nossa Senhora do Patrocínio, trazida por Bento Navarro em 1853, permanece como o mais precioso testemunho da fé e da fundação de Jaú.

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