Além do túmulo vazio

Nesta edição de abril somos convidados a refletir sobre o renascimento mais significativo da história cristã: a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esse evento fundamental, que celebramos na Páscoa, não é apenas uma lembrança distante, mas um chamado contínuo à transformação e ao testemunho em nossas vidas.

Há quase 2 mil anos, os discípulos de Jesus enfrentaram um momento de profunda crise. O Mestre que amavam havia sido brutalmente assassinado pelo poder religioso e político de sua época. O medo os dispersou, fazendo-os retornar às suas vidas antigas, no entanto, foi desse aparente fim que surgiu o mais extraordinário começo.

A caminhada da fé, como nos relembra o evangelista João, muitas vezes começa na escuridão. Maria Madalena, figura central na comunidade primitiva e “apóstola dos apóstolos”, buscou Jesus no túmulo ainda de madrugada (cf. Jo 20,1-9). Sua busca, embora inicialmente desorientada, simboliza o primeiro passo de uma fé nascente na ressurreição.

O caminho para a compreensão plena desse mistério não foi fácil para a comunidade cristã. As reações diversas de Pedro e do “discípulo amado” ao túmulo vazio ilustram as diferentes formas de assimilar essa verdade revolucionária. Alguns, guiados pelo coração, chegaram mais rapidamente à fé; outros, pela razão, precisaram de mais tempo.

Paulo nos lembra das profundas implicações da ressurreição em nossas vidas (cf. At 10,34a.37-43). Somos chamados a “buscar as coisas do alto”, vivendo uma espiritualidade pascal intensa. Nossa vida, agora, está “escondida com Cristo em Deus” (Col 3,1-4), uma nova existência que transcende as limitações terrenas.

Vejamos, portanto, como o evento pascal transformou o medo em coragem, o escondimento em testemunho destemido. Reflitamos, durante este mês em que celebramos a Páscoa, sobre como, à medida que a comunidade se certificava da Ressurreição, uma mudança radical ocorria: o nascimento de uma nova criação, de um novo tempo.

Que as páginas seguintes desta edição da Revista Ave Maria sejam um convite para cada um de nós renovar a própria fé. Assim como os primeiros cristãos somos desafiados a passar da escuridão da dúvida para a luz da certeza, do túmulo vazio para o encontro vivo com Cristo ressuscitado.

Que esta Páscoa de 2025 seja um tempo de transformação concreta e testemunho vivo em nossas vidas e comunidades.

Uma santa Páscoa e abençoada leitura a todos!

NOTAS MARIANAS
Mistérios da Glória

“A contemplação do rosto de Cristo não pode deter-se na imagem do crucificado. Ele é o Ressuscitado! Contemplando o Ressuscitado, o cristão descobre novamente as razões da própria fé (cf. 1Cor 15,14) e revive não só a alegria daqueles a quem Cristo se manifestou – os apóstolos, Madalena, os discípulos de Emaús –, mas também a alegria de Maria, que deverá ter tido uma experiência não menos intensa da nova existência do Filho glorificado.” (Rosário da Virgem Maria, 23) É costume rezá-los às quartas-feiras e aos domingos.

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