Ao se deparar com o sétimo mandamento sobre “Não furtar”, certamente o jovem deve pensar que diz somente respeito a não pegar o que é dos outros; porém, não é só isso. Há diversas formas de furto, e uma delas é o plágio, e este constitui um pecado.
O Catecismo Jovem da Igreja Católica, ao discorrer sobre o sétimo mandamento, na página 234, define plágio da seguinte forma: “Plágio ou Plagiato procede do Latim plagium, que significa roubo (de escravos). Um plágio consiste em apoderar-se ocultamente de um bem intelectual alheio e em apresentá-lo como uma produção intelectual própria”. Ao chamar atenção para a definição de plágio, a Igreja quer que todos compreendam que roubar um bem intelectual ou imaterial – entenda-se como aquilo que não é tangível, quantificável, mas que tem um autor e um valor – constitui-se em pecado.
No tempo de escola, o jovem se depara, muitas vezes, sobretudo em dias de avaliações, com o risco de “filar ou colar na prova do outro”. É preciso lembrar que a ideia é do outro, e não sua. Se você plagiar a prova do outro, é um pecado grave e pode resultar numa infração acadêmica grave, como no caso de concurso público, em que o cidadão pode ser desclassificado e, além do mais, responder por crime de fraude. Na era digital, o risco só aumenta, como, por exemplo, você afirmar que é seu um texto produzido pela IA (Inteligência Artificial), que reúne ideias de diversos autores buscados na Internet. Você pode utilizar a IA como ferramenta de busca, isto é, de pesquisa, mas sempre atento às fontes, e que essa busca não limite o seu raciocínio, mas o faça, com a busca do conteúdo, expressar sua própria ideia. Isso vale tanto para a confecção de um simples texto quanto para a produção de um texto acadêmico-científico.
Ainda nesta perspectiva de plágio na esfera de produção intelectual, está também o plágio de músicas, de produções fotográficas, de frases compartilhadas nas redes sociais sem identificar o autor, enfim, inúmeros meios de plágio que decorrem da falta de orientação. Por isso que o Catecismo Jovem da Igreja Católica, no número 429, alerta os pais e mesmo os jovens para o cuidado que se deve ter desde o tempo de escola. “A apropriação ilícita de um bem imaterial começa em copiar por alguém na escola, continua com o download ilegal de conteúdos da Internet, diz respeito às fotocópias ilegais e aos mais diversos tipos de cópias piratas e vai até a venda de rascunhos e ideias furtadas.” No mesmo parágrafo destaca: “Qualquer posse de bens imateriais alheios exige tanto o livre consentimento como a remuneração apropriada ou a participação do autor no lucro”.
Observando esses exemplos, é necessário sempre se questionar: este conteúdo é de qual autor? Há autorização dele para reproduzir? Se for um conteúdo pago – uma música –, quais os direitos autorais? Evidentemente, quem cumpre as regras, mesmo que sejam exigentes ou custem caro, haverá de sair no lucro, quer dizer, no lucro da autenticidade, da veracidade, visto que a falsidade ou “o barato pode custar caro demais”. É preferível uma nota vermelha na escola a uma nota azul por meio da cola; é elegante um texto curto, bem produzido, do que um texto longo copiado dos outros; há credibilidade ao citar o autor de uma música do que dizer que é de sua autoria.
Isso tudo faz você pensar que a verdade é sempre verdade e a mentira é sempre mentira. O plágio é uma mentira, é um roubo, e, por isso, é pecado. Daí, portanto, a palavra de Jesus ser tão importante para ser seguida: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará!” (Jo 8,32).