No artigo anterior, seguindo o programa do Papa Leão XIV, que começou o ciclo de catequeses intitulado “O Concílio Vaticano II através de seus documentos”, examinamos brevemente a Constituição Dei Verbum sobre a divina revelação.
Neste artigo, vamos apresentar, sempre sinteticamente, a Constituição dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja.
Esse documento é dividido nos seguintes oito capítulos: “O mistério da Igreja”, “O povo de Deus”, “A constituição hierárquica da Igreja e, em especial, o episcopado”, “Os leigos”, “A vocação de todos à santidade na Igreja”, “Os religiosos”, “A índole escatológica da Igreja peregrina e a sua união com a Igreja celeste” e “A Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja”.
O Papa Leão XIV apresentou, nas audiências gerais, a Constituição dogmática Lumen Gentium a partir do dia 18 de fevereiro até 13 de maio, todas as quartas-feiras. Todas elas estão disponibilizadas na internet. Aqui limitamo-nos a refletir sobre o primeiro capítulo do documento.
A expressão latina “Lumen Gentium” significa “Luz dos povos”. Quem é essa “luz”?
Encontramos a resposta no primeiro número do documento:
“A luz dos povos é Cristo. Por isso, este sagrado Concílio, reunido no Espírito Santo, deseja ardentemente iluminar com a sua luz, que resplandece no rosto da Igreja, todos os homens, anunciando o Evangelho a toda a criatura (cf. Mc 16,15). Mas porque a Igreja, em Cristo, é como que o Sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano, pretende ela, na sequência dos anteriores concílios, pôr de manifesto com maior insistência, aos fiéis e a todo o mundo, a sua natureza e missão universal. E as condições do nosso tempo tornam ainda mais urgente esse dever da Igreja, para que, desse modo, os homens todos, hoje mais estreitamente ligados uns aos outros pelos diversos laços sociais, técnicos e culturais, alcancem também a plena unidade em Cristo.”
Conforme acima citado, o primeiro capítulo tem como título “O mistério da Igreja”. A esse respeito, o Papa Leão XIV assim falou na audiência do dia 18 de fevereiro:
“Escolhendo este vocábulo, não quis dizer que a Igreja é algo obscuro ou incompreensível, como normalmente se pensa quando se ouve pronunciar a palavra ‘mistério’. Exatamente o contrário. Com efeito, quando São Paulo usa essa palavra, especialmente na Carta aos Efésios, quer indicar uma realidade que antes estava escondida e agora foi revelada. Trata-se do desígnio de Deus, que tem uma finalidade: unificar todas as criaturas graças à ação reconciliadora de Jesus Cristo, ação que se concretizou na sua morte na cruz.”
Daí, o primeiro capítulo da Constituição dogmática Lumen Gentium apresenta as etapas desse “mistério”: a vontade salvífica do Pai; a missão e a obra do Filho, com a fundação da Igreja; o Espírito santificador e vivificador da Igreja; o Reino de Deus; as figuras da Igreja; a Igreja, Corpo Místico de Cristo; e a Igreja como sociedade visível e espiritual.
Devido à brevidade do artigo, ressaltamos apenas quais são as “figuras da Igreja” apresentadas na Constituição dogmática Lumen Gentium.
A Igreja é o redil, cuja única porta e necessário pastor é Cristo (cf. Jo 10,1-10). É também o rebanho do qual o próprio Deus predisse que seria o pastor (cf. Is 40,11; Ez 34,11ss.). A Igreja é a agricultura ou o campo de Deus (cf. 1Cor 3,9).
A Igreja é também muitas vezes chamada construção de Deus (cf. 1Cor 3,9), casa de Deus (cf. 1Tm 3,15), tabernáculo de Deus com os homens (cf. Ap 21,3), “templo santo”, “Jerusalém do alto” e “nossa mãe” (cf. Gl 4,26; Ap 12,17), “esposa imaculada do Cordeiro imaculado” (cf. Ap 19,7; 21,2.9; 22,17) e “Corpo Místico de Cristo” (cf. 1Cor 12,12).
Essas breves considerações apontam para a riqueza espiritual desse importante documento e espera-se que motivem a sua leitura completa.