É certo que muitos jovens perguntam aos padres, pais, catequistas ou a alguém em quem eles têm confiança quais devem ser os meios para a vivência da castidade, isto é, do ordenamento dos seus impulsos sexuais de modo a estar em conformidade com os planos de Deus.
De início, convém dizer que na busca ele já encontra a força. Se o jovem faz esse tipo de questionamento é porque quer viver assim e, por sua vez, está aberto à graça divina que vem em auxílio à natureza humana. O primeiro passo é ter fé, acreditar que é possível, sim, ter uma vida de castidade. Ter fé é buscar o alimento espiritual por meio da oração pessoal diariamente, da oração comunitária – na igreja, frequentando as missas, os grupos de jovens, as turmas de catequese de Crisma etc. –, ler livros sobre a vida dos santos e perceber que eles também enfrentaram dificuldades nessa área, mas conseguiram superar com vidas espirituais intensas, construir amizades sadias com que tem o mesmo propósito e, nesse aspecto, os jovens que frequentam a Igreja têm, em sua maioria, o ideal de vidas castas. Entre diálogos respeitosos, perceberá o jovem que o irmão e a irmã de Igreja têm essa intenção no coração. Como é edificante quando um menino namora uma menina que frequenta a Igreja, eles buscarão ter um namoro santo em vista de um futuro Matrimônio de acordo com os planos de Deus.
Depois desse passo na fé, um dos grandes meios para uma sexualidade equilibrada é fugir das ocasiões de pecado. O Catecismo jovem da Igreja Católica, no número 405, relata que “Castamente vive quem é livre para o amor e não quem é escravo dos seus impulsos e paixões. Tudo o que faz com que uma pessoa ganhe significado, maturidade, liberdade e afeto contribui para um amor mais casto. Uma pessoa torna-se livre para o amor por meio da autodisciplina, que deve adquirir, exercitar e conservar em cada etapa da vida. Para isso contribui, em qualquer situação, permanecer fiel aos mandamentos de Deus. Fugir ou guardar-se das tentações, evitar toda a forma de vida dupla ou dupla moral e fortalecer-se no amor”. Se, por exemplo, uma pessoa vai ser um meio de levar você a pecar, rompa a amizade ou namoro com ela; evite locais que não favorecem uma amizade ou namoro santo; preserve seu corpo sabendo que ele é templo do Espírito Santo e não um objeto para ser usado e depois descartado; tenha um diálogo sincero e respeitoso com a pessoa com que namora – por isso ela deve ter o mesmo ideal de vida. Quem não caminha para a mesma fonte buscará saciar sua sede em fontes contrárias e nunca será feliz. Um casamento que deu certo é fruto de um namoro e um noivado que deram certo, tudo a seu tempo, e é por isso que exige-se de cada pessoa o autodomínio para fugir das ocasiões de pecado.
Ainda dentro dessa perspectiva, convém que a pessoa se conheça, saiba até onde vão os seus limites. Conhecer-se sexualmente é harmonizar-se consigo e não é reprimir os desejos. Quem os reprime nunca estará em paz consigo, nem muito menos com os outros. Em vez de reprimir, convém sublimar os impulsos sexuais, como, por exemplo, transformar o impulso sexual em outros meios que dão prazer e ajudarão você a equilibrá-los. Um dos meios mais eficazes é a prática esportiva. O esporte lhe dará prazer, não é pecado e ordenará os seus impulsos. Controlar os impulsos também por meio do que se vê, do que se escuta. Exemplos: evitar a pornografia e músicas pejorativas, com duplo sentido, que só exaltam os prazeres sexuais. Aqui vale a máxima frase do filósofo Aristóteles, que diz “Nada está no intelecto sem antes ter passado pelos sentidos”. Por isso, você deve se perguntar: o que estou vendo, ouvindo, falando? O ordenamento de seus sentidos lhe ajudará na busca de uma vida casta. Num sentido religioso, isso significa ter temperança, ou seja, equilíbrio em tudo. “A temperança é uma virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. Uma pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração”, assegura o Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1809.
Na audiência-geral de 17 de abril de 2024, comentou o Papa Francisco: “Inclusive em relação aos prazeres, a pessoa temperante age com juízo. O livre curso dos impulsos e a total licença concedida aos prazeres acabam por se virar contra nós próprios, levando-nos a precipitarmo-nos num estado de tédio. Quantas pessoas que quiseram experimentar tudo vorazmente acabaram por perder o gosto por tudo! Então, é melhor procurar a medida certa: por exemplo, para apreciar um bom vinho é melhor saboreá-lo em pequenos goles do que engoli-lo de uma só vez. Todos nós sabemos disso”. Noutras palavras, viva cada momento e fase de sua juventude de modo equilibrado. Se é um namoro, é namoro, não tem essa história de “namorido”. Como disse o saudoso Papa, quem quiser experimentar tudo perderá o gosto de tudo.
Jovem, pare, reflita, a castidade é possível, basta ter fé, fugir das ocasiões de pecado e ordenar os seus desejos para aquilo que é bom e que o leva ao equilíbrio na vida impulsionado pela virtude da temperança. Não deixe, portanto, de buscar a experiência de uma vida casta, pois só nela a sua vida ganhará sentido e verá a beleza da harmonia e da paz interior em tudo, pois uma vida com os impulsos ordenados é uma vida feliz.