SÃO JOAQUIM, PAI DE NOSSA SENHORA

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Caríssimos amigos e irmãos! No segundo domingo do mês de gosto celebramos o Dia dos Pais. Comumente, olhamos para a figura de José, o pai adotivo de Jesus e guardião da Sagrada Família. Gostaria de propor, para a reflexão deste mês de agosto, um olhar mais atento à figura de São Joaquim, pai da Virgem Maria e avô de Jesus, também guardião de um dos tesouros de Deus, que é a Virgem Maria. O cuidado para com os tesouros de Deus torna-se também modelo para o cuidado para com os necessitados, cuidado esse que somos chamados a vivenciá-lo constantemente em nossa vida de fé.

Segundo a tradição da Igreja, no dia 26 de julho comemoramos a festa de São Joaquim e Sant’Ana, pais de Maria, mãe de Jesus. O casal Joaquim e Ana já estava com idade avançada e ainda não tinha filhos e a esterilidade causava sofrimento e vergonha, pois para o judeu não ter filhos era sinal da maldição divina. Os motivos são óbvios, pois os judeus esperavam a chegada do Messias, como previam as sagradas profecias e, para isso, precisavam gerar.

Não se sabe muito sobre a vida dele, pois passa a ser citado a partir do século II, mas, pelos escritos apócrifos, que não são citados na Bíblia, porque se entende que não foram inspirados. Eles apenas revelam o nome dos pais da Virgem Maria, que é a mãe do Messias, e vem citado juntamente com sua esposa Sant’Ana.

No Evangelho, Jesus disse: “Dos frutos conhecereis a árvore, a planta” (Mt 12,33). Assim, não é preciso outro elemento para descrever-lhe a santidade, senão pelo exemplo de santidade da filha Maria. A santidade de Maria atesta para nós a santidade de seus pais. Maria, ao nascer, não só tirou dos ombros dos pais o peso de uma vida estéril, mas ainda os recompensou pela fé ao ser escolhida no futuro para ser a mãe do Filho de Deus.

Santa Maria recebeu no lar formado por seus pais todo o tesouro das tradições da casa de Davi, que passavam de uma geração para outra; foi nele que aprendeu a dirigir-se a Deus com imensa piedade; foi nele que conheceu as profecias relativas à chegada do Messias. São Joaquim e Sant’Ana, pais de Maria, foram, no seu tempo e nas circunstâncias históricas concretas, um elo precioso do projeto da salvação da humanidade.

A princípio, apenas Sant’Ana era comemorada e, mesmo assim, em dias diferentes no Ocidente e no Oriente. A partir de 1584, também São Joaquim passou a ser cultuado no dia 20 de março. Só em 1913 a Igreja determinou que os avós de Jesus Cristo deviam ser celebrados juntos, no dia 26 de julho.

Que São Joaquim seja um exemplo para todas as famílias cristãs e, em especial, a todos os pais, para que, a exemplo desse santo, possam ser fiéis às suas famílias e cumprir com fidelidade e amor tudo aquilo que a religião cristã nos prescreve.

Que todos os pais sejam exemplos para os seus filhos, que esses no futuro possam tê-los como exemplos. Que sejam exemplos para todos os homens. Exemplos de fé, de acolhida e proteção à família e de trabalhadores. Que todos os homens não se desesperem diante dos problemas da vida, mas confiem na providência divina.

Em nossa tarefa de passar pelo mundo fazendo o bem, que possamos pedir a São Joaquim que nos inspire coragem e fé, principalmente ante os desafios de olhar atentamente às necessidades e ao cuidado do outro. Em meio a uma cultura de correria e indiferença, que aprendamos a estar atentos ao que o outro necessita.

Deus abençoe e guarde a todos.

D. Orani Tempesta, o. cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ).

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