SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT

28 DE ABRIL
(31 DE JANEIRO DE 1673-28 DE ABRIL DE 1716)

“Maria é um espaço santo, onde os santos são formados. Santo Agostinho chama a Santa Virgem de forma de Deus, a estampa de Deus. Aquele que foi lançado nessa forma divina é imediatamente formado e estampado em Jesus Cristo e Jesus Cristo nele.”

Esta citação descerra o sentido mais rico da meditação monforteana sobre Maria, venerada como instrumento da visita de Deus, figura da Igreja, cidade na qual nascem os verdadeiros filhos. Ele personalizou em Maria o mistério da Igreja, levando até as últimas consequências essa mística identificação na vida interior e na prática cristã. Uma apaixonada redescoberta da pessoa de Maria, um diurtuno e concreto abandono à sua mediação materna, uma intensíssima vida de relação com ela tornaram possível a Montfort fazer da mãe de Deus não o objeto de uma devoção particular, mas, com certeza e sempre mais, a chave de sua espiritualidade missionária.

Mas quem era Luís Maria de Montfort?

A OPÇÃO PELOS POBRES

Luís Maria Grignion de Montfort e Blain, dois jovens amigos inseparáveis, estavam aproveitando uma bela tarde de sol, correndo juntos pelos campos. Num determinado momento, porém, Blain percebeu que seu companheiro havia desaparecido. Pensou que fosse uma brincadeira e se colocou à sua procura. Talvez estivesse escondido no bosque ou dentro de qualquer caverna. A brincadeira já durava bastante tempo quando lhe passou pela mente a suspeita de que aquele louco tivesse ido à procura dos pobres. Dirigiu-se diretamente para um casebre não muito distante, onde vivia “um mendigo inocente, ignorante e muito maltratado pela natureza”, que não fazia mal a ninguém, mas que suscitava o interesse dos moleques que se divertiam todas as vezes que ele aparecia na cidade à procura de esmolas.

Luís, ajoelhado, acariciava-lhe os pés nus e os beijava como fazem os bons camponeses na Igreja prostrados diante do crucifixo. Blain parou para observar e não disse uma palavra. A cena não lhe parecia deste mundo: o seu amigo via alguma coisa que para ele no momento lhe escapava.

Foi entender um pouco melhor no dia seguinte quando Luís, depois de ter feito uma coleta entre os estudantes para um seu companheiro pobre, procurou um vendedor de roupas e, pondo sobre o balcão todo o dinheiro recolhido, disse-lhe: “Eis um irmão meu e teu. Eu esmolei na escola tudo o que pude para vesti-lo. Se estiver faltando alguma coisa, cabe a ti acrescentares o que falta”. E o mendigo esfarrapado foi vestido com roupas novas.

Para Luís, o pobre não era um simples indigente para ser despachado com qualquer esmola, mas o Sacramento especial da presença de Cristo entre os homens. Deus havia-lhe mostrado com clareza desde a infância e desde então ele jamais poderia esquecer.

NO SEMINÁRIO, SEM FOME

Parecia-lhe inacreditával não passar mais fome, poder estudar e orar sem preocupação de outro gênero. A espiritualidade do seminário impelia os estudantes a “viverem soberanamente para Deus, em Cristo Jesus nosso Senhor, de modo que suas disposições interiores penetrassem no mais íntimo do nosso coração”.

Quando terminou o curso do seminário, Luís não frequentou mais as aulas para tirar o doutorado. Depois de ter ouvido por anos tantos mestres, sentia a necessidade de parar para poder organizar em uma síntese vital as verdades da fé. De acordo com o seu diretor espiritual, escolheu permanecer em casa a fim de estudar livros de espiritualidade à sua disposição e aprofundar o conhecimento dos padres da Igreja.

“RECONHECEI JESUS NOS POBRES”

Luís, no entanto, tinha conseguido a admiração e a confiança de um jovem leigo, Maturino, que passou a segui-lo, tornando-se seu primeiro colaborador nas missões. Com ele dirigiu-se a uma localidade vizinha perto do convento onde estava a sua irmã, Sílvia, e pediu à porteira “a caridade por amor de Deus”. A irmã porteira ficou perplexa diante daquele homem tão esquisito e foi falar com a abadessa. Esta, assim que viu Grignion, pensou que fosse mais um vagabundo e o mandou embora. Quando descreveu às irmãs como uma figura estranha que tinha encontrado, Sílvia exclamou: “Mas é meu irmão!”. A superiora fez de tudo para fazê-lo retornar, mas Luís respondeu ao mensageiro: “A abadessa não quis me fazer a caridade por amor de Deus, agora me oferece por amor de minha irmã? Eu lhe agradeço…” e continuou o caminho.

Episódio semelhante se deu à porta da casa de sua velha senhora ama de leite. Quando a pobre mulher se deu conta do erro cometido pelo seu genro, foi procurar Luís e, com lágrimas nos olhos, convidou-o a entrar e abençoar sua pobre casa. Dessa vez ele aceitou, fazendo-a, porém, refletir: “Mãe Andreina, esquecei o Grignion que nada merece, mas pensai em Jesus Cristo que é tudo e reconhecei-o nos seus pobres!”.

A mesma cena se repetiu em um convento dominicano. Luís se dirigiu ao sacristão e logo o reconheceu: era seu irmão José, a quem ele havia ajudado nos estudos. Dirigiu-lhe a palavra: “Meu caro irmão, peço-te que me dês os paramentos para a Missa, pois quero celebrar…”. O padre dominicano se ofendeu por ter sido chamado simplesmente de irmão e lhe ofereceu os paramentos mais desgastados. Depois se aproximou de Maturino e lhe perguntou quem era aquele padre assim malvestido. A princípio, Maturino não respondeu, em obediência à ordem de silêncio recebida de Luís, mas, por fim, não resistiu: “É Luís Grignion de Montfort…”. Terminada a Missa, os dois se abraçaram e José se lamentou por não o ter logo reconhecido. “Mas eu te chamei de irmão”, disse com um sorriso satisfeito e brincalhão, “o que tu querias mais? Que maior sinal de ternura eu te poderia ter dado?”.

O MISTÉRIO DE MARIA

A obra-prima de Montfort será sempre o Tratado da verdadeira devoção a Maria. “Este livro, deixado por longo tempo no silêncio de um cofre e difundido além de um século depois da morte do autor, é agora um clássico da literatura espiritual. Apresenta-se hoje com o particular verniz das páginas que ajudaram muitos a orar. Tem ajudado na formação de santos, tem tornado doce, para tantas almas, o seguimento de Cristo e a experiência da cruz. Ao lê-lo, com sua ênfase equilibrada, pode voltar ao leitor o som de certas coisas antigas, que perderam uma parte de seu poder de comunicar; mas é na vital fruição das verdades ali contidas que se chega a perceber o segredo e a saborear a palavra profunda.”

Ele escrevia com a simplicidade de um catequista e a profundidade de um padre da Igreja: “O modo de agir que as três Pessoas da Santíssima Trindade adotaram na encarnação e na primeira vinda do Verbo conservam-no sempre e o manterão até o fim dos séculos (…). Uma mesma mãe não dá à luz a cabeça sem os membros, nem os membros sem a cabeça: se tal acontecesse teríamos um monstro da natureza (…). Jesus é e sempre será o fruto e o filho de Maria, e Maria é e sempre será a árvore verdadeira que conduz o fruto da vida e a verdadeira mãe que o produz(…). Cada um que quiser ser membro de Jesus Cristo deve ser formado em Maria, por meio da graça de Deus que nela habita com plenitude(…). A Santa Virgem é o meio do qual nosso Senhor se serviu para vir a nós; é também o meio pelo qual devemos nos servir para chegar até Ele(…)”.

Terminemos com esta oração que brotou do coração de Montfort: “Recorda-te, Espírito Santo, ter formado o Filho de Deus com Maria, tua esposa fiel. Formaste nela e com ela a cabeça do corpo místico, por isso com ela e nela deves formar todos os seus membros. Tu não geraste nenhuma pessoa divina no seio da Trindade, mas somente tu fazes dos homens filhos de Deus. Todos os santos do passado e do futuro são obras do teu amor unido a Maria”.

Quando, no dia 28 de abril do ano de 1716, Grignion, durante uma de suas missões, já estava para partir deste mundo, o seu quarto foi invadido bem umas duas vezes pelas pessoas da aldeia. Ele abençoou “os seus pobres”, depois recolheu as suas forças e entoou com os presentes um dos seus cânticos: “Vamos, meus queridos amigos, vamos ao paraíso! Qualquer coisa que aqui se lucra, no paraíso vale muito mais!”. E morreu cantando.

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