Tempos de corações perturbados

Maio, para nós, católicos, é mais do que uma página do calendário, é um tempo de ternura, de escuta e de renovação. Mês mariano por excelência, ele nos reúne sob o olhar materno de Maria, mulher do “sim”, e nos convida a percorrer, com a Igreja, o caminho luminoso da Páscoa até Pentecostes. Nesse itinerário, a liturgia nos oferece uma palavra insistente e consoladora: “Não se perturbe o vosso coração”.

Em meio às inquietações do nosso tempo, sobretudo aquelas relacionadas aos conflitos bélicos, Cristo ressuscitado se apresenta como o caminho, a verdade e a vida. Não promete uma fé sem lutas, mas uma presença que sustenta, uma paz que o mundo não pode dar e um horizonte de esperança que não decepciona. Maio nos recorda que a vida cristã não se esgota em devoções exteriores, embora elas sejam belas e necessárias; ela se prova no cotidiano, no trabalho honesto de São José Operário, na humildade, no perdão, no serviço e na caridade concreta.

As leituras litúrgicas deste mês desenham para nós o rosto da Igreja que nasce do Ressuscitado: comunidade chamada a servir, como em Atos dos Apóstolos; corpo vivo feito de muitos dons, mas animado por um só Espírito; povo que permanece unido a Cristo como os ramos à videira; discípulos enviados a amar sem medida e a testemunhar com coragem, mesmo em meio às contradições do mundo. O Evangelho de João, tão presente nestes dias, é uma verdadeira escola de intimidade com Jesus: permanecer nele, guardar sua Palavra, acolher sua paz, deixar-se conduzir pelo Paráclito.

Ao mesmo tempo, maio nos conduz pela mão de Maria. De Fátima à memória de Maria, Mãe da Igreja, contemplamos aquela que guardou tudo no coração e permaneceu de pé junto à cruz. Nela aprendemos que a fidelidade a Deus não faz barulho, mas gera frutos. Maria é presença discreta, porém decisiva: aponta sempre para o Filho e ensina a Igreja a acolher o Espírito Santo com docilidade.

Entre a Ascensão e Pentecostes, a liturgia nos educa para não ficarmos “olhando para o céu”, imóveis, mas para assumirmos nossa missão no mundo. O Cristo que sobe ao Pai permanece conosco; o Espírito que desce fortalece nossa fraqueza; a paz que recebemos deve tornar-se reconciliação, serviço e esperança para os irmãos.

Que este mês de maio reacenda em nós a confiança. Em tempos de corações perturbados, a Igreja nos pede corações orantes. Em tempos de dispersão, a liturgia nos chama à unidade. Em tempos de dureza, o Evangelho nos devolve à caridade. Com Maria, avancemos. Com o Ressuscitado, não temamos. Com o Espírito Santo, sejamos testemunhas.

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