Revista Ave Maria

Artigos da revista › 04/06/2020

“Vou cantar e tocar para vós: desperta, minh’alma, desperta” (Sl 57)

A música sacra não possui nenhuma outra função além de sair do coração e voltar para ele mesmo como fonte de meditação e alimento espiritual. O canto cristão entoa tudo o que se refere à Eucaristia. O músico católico tem obrigação em conhecer a Palavra de Deus e guardá-la no fundo do coração como Maria o fez. Maria: a voz do silêncio e da escuta! O modelo perfeito a todo cristão! Portanto, cantar com o coração na Igreja não significa cantar com os nossos próprios sentimentos e emoções, muitas vezes carregados de nosso narcisismo e vaidade. Cantar na Igreja é  com, por e em Cristo! Ou seja, é preciso fazer música estudando, compondo, interpretando e executando com o coração de Deus revelado no amor de Cristo!

O músico cristão deve sentir os acordes da misericórdia! Assim, Jesus revela sua misericórdia no Diário de Santa Faustina Kowalska no ano de 1938, parágrafos 1.540 e 1.541, sobre seu amor misericordioso: “Anota, minha filha, estas palavras: todas as almas que louvarem minha misericórdia e divulgarem a sua veneração, estimulando outras almas à confiança na minha misericórdia, essas almas na hora da morte não sentirão pavor. A minha misericórdia as defenderá nesse combate final… Minha filha, exorta as almas a rezarem esse Terço que te dei. Pela recitação desse Terço agrada-me dar tudo o que me peçam. Quando os pecadores empedernidos o recitarem, encherei de paz as suas almas, e a hora da morte deles será feliz. Escreve isso para as almas atribuladas: quando a alma vir e reconhecer a gravidade dos seus pecados, quando se abrir diante dos seus olhos todo o abismo da miséria em que mergulhou, que não se desespere, mas antes se lance com confiança nos braços da minha misericórdia, como uma criança no abraço da sua querida mãe. Essas almas têm prioridade no meu coração compassivo, elas têm primazia à minha misericórdia. Diz que nenhuma alma que tenha invocado a minha misericórdia se decepcionou ou experimentou vexame. Tenho predileção especial pela alma que confiou na minha bondade” (Santa Faustina Kowalska, Diário, 1938, §§ 1.540-1.541).

O coração é tudo o que devemos trabalhar como cristãos. Nele se encontra a verdade da vida e toda a possibilidade de integridade. A música católica deve promover os mesmos sentimentos de Jesus, fazendo ecoar humildade e mansidão de coração a todos. Quem verdadeiramente ama o Cristo fará de tudo para bem cantar seus louvores com instrução, técnica, dedicação e plenitude. Os Salmos são escola de oração e musicalidade espiritual e nos conduzem por meio de orientação para bem servir ao coração de Jesus como bem se faz no Ofício Divino: “Meu coração está pronto, meu Deus, está pronto o meu coração! Vou cantar e tocar para vós: desperta, minh’alma, desperta! Despertem a harpa e a lira, eu irei acordar a aurora!”.

Ricardo Abrahão

 

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.