O que é música? É uma pergunta que possui ampla resposta, mas, ficaremos com o mais importante: música é um ofício. Acredito que outros poderiam esclarecer melhor o fato de que vivemos, no momento, um modismo academicista e teórico, no qual tudo passa por currículos extensos, teorias exorbitantes, diplomas sem sentido, uma falação sem fim nos mais diversos assuntos. A música não escapou a esse fenômeno, no entanto, ela jamais deixará de ser um ofício: aquilo que se aprende no fazer, no acertar e errar, no suor do corpo, no treino constante, na admiração por um mestre.

O ofício requer a relação entre mestre e discípulo, por isso, a natureza é chamada mestra, porque pertencemos a ela, e nossos corpos biológicos e psíquicos refletem, por meio dos instintos, a musicalidade da vida sob os compassos do ritmo cardíaco.

O que é a Missa? A liturgia? Antes de mais nada, são ofícios! Desse modo, o encontro dos fundamentos sonoros naturais com os fundamentos do cristianismo gerou o que chamamos de música ocidental. A música litúrgica é serviço constante, porque a própria liturgia é serviço: uma oficina onde o amor ali sentido é desenvolvido nas relações entre um eu e um outro.

Essa relação se chama comunhão: o efeito, o resultado, a prática, a realização do desejo contido no coração. Sem realização, o amor se torna uma ideia, tantas vezes linda, mas sem nenhum efeito, e o eu fica sem desenvolvimento. O narcisismo, primeiramente, é um eu que não se desenvolveu. Jamais se deve esquecer: quem não se envolve, não se desenvolve.

Os ensinamentos de Jesus eram práticos e comprovados com eficácia, deixando claro que uma árvore é reconhecida pelos seus frutos, não por suas ideias.

Jesus nasceu no que podemos chamar de circunstâncias mais profundas e eficazes para um verdadeiro desenvolvimento do eu: a humildade e o ofício. Seus primeiros passos foram dados dentro de uma carpintaria e não poderia ter encontrado maior mestre no trabalho, na humildade e no silêncio do que São José. Ao lado de Maria, aquela que sabe o ofício de escutar, José ensinou ao Menino a oficina de ser humano de verdade.

A música litúrgica é oficina de amor, de escuta, de trabalho incansável, de profundo silêncio e de constante humildade. Os compassos da música sacra devem seguir os compassos do Evangelho, que nada mais apresentou do que a oficina da humanidade por meio do amor verdadeiro. Para ser bom músico, só é necessário ser gente de verdade.

Que São José possa ser o fiel amigo dos que sabem silenciar, trabalhar e cantar a vida com amor incondicional.

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