DIÁLOGO PELA PAZ: SÍMBOLO DA VITÓRIA DA CULTURA DO ENCONTRO

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O Dia Mundial da Paz foi instituído pelo Papa Paulo VI em 1967. Desde então, todo início de ano os fiéis são convidados a refletir e a estudar temáticas relacionadas à paz. Em 2022, o tema da mensagem do Papa Francisco foi “Educação, trabalho, diálogo entre as gerações”. No entanto, a partir da década de 1960, os assuntos envolveram questões ligadas a direitos humanos, justiça social, diálogo entre culturas e religiões, bem como sobre aspectos da Doutrina Social da Igreja.

Pode-se dizer que a temática sobre a paz é muito cara aos sumos pontífices. Inúmeros são os exemplos de desafiadores diálogos protagonizados pelos líderes da Igreja. Recentemente, o presidente da Croácia, Zoran Milanovic, pediu ao Papa Francisco que auxiliasse nas negociações de paz entre Ucrânia e Rússia. Já João Paulo II, hoje santo, foi responsável por iniciar a reaproximação dos Estados Unidos da América (EUA) com Cuba. Muitos outros episódios poderiam ser citados, mas, neste texto, daremos enfoque para alguns.

O sucesso da diplomacia do Vaticano no caso de Cuba-Estados Unidos é fruto de um amplo diálogo do Papa João Paulo II com o governo da ilha caribenha. Teve início ainda com o Papa João XXIII quando, em 1962, fez uma intervenção que contribuiu para evitar uma possível guerra entre a União Soviética e os Estados Unidos durante a crise que girava em torno dos mísseis nucleares instalados na ilha. As visitas dos papas João Paulo II, em 1998, e Bento XVI, em 2012, ajudaram a dar continuidade a esse diálogo. O Papa Bento XVI também chegou a se reunir com a oposição, as Damas de Branco, que na ocasião ressaltou ser o embargo econômico imposto por Washington um “fardo injusto” para o povo cubano.

Em março de 2013 foi a vez de Francisco fazer uma visita histórica a Cuba, a mais longa do seu pontificado até então. Na ocasião, o Papa argentino enfatizou a necessidade de “abraçar o Evangelho”. “Embora sejam muito religiosos, os cubanos não são propriamente católicos”, disse o teólogo brasileiro Frei Betto. Porém, para o Papa Francisco, essa é a fé das pessoas e devemos procurar Deus ali. Segundo o Papa, o “mundo precisa de reconciliação”. Na ocasião, disse ainda: “Estamos sendo testemunhas de um acontecimento que nos enche de esperanças: o processo de normalização das relações entre dois povos, depois de anos de distanciamento. É um processo. É um símbolo da vitória da cultura do encontro, do diálogo”.

Já neste ano, atendendo ao pedido do presidente da Ucrânia, o Bispo de Roma não mediu esforços para selar a paz. Embasado nos princípios franciscanos, o Papa Francisco pediu uma “trégua pascal” durante o Domingo de Ramos, que abriu as celebrações da Semana Santa. “Deponham-se as armas, inicie-se uma trégua pascal, mas não para recarregar as armas e retomar o combate, não! Uma trégua para se chegar à paz, por meio de uma verdadeira negociação, disponível também a qualquer sacrifício pelo bem das pessoas”, pediu. Desde então, o Papa tem realizado constantes pedidos pela paz e diálogo. Durante a viagem a Malta, disse aos jornalistas que a solicitação para visitar a capital da Ucrânia, Kiev,”está na mesa para avaliação”.

Certamente, o exemplo de São Francisco de Assis serviu de inspiração para o Papa, que viu no Santo de Assis uma inspiração para o seu próprio nome. Não somente ao Francisco que agora está em Roma, como a tantos outros papas que, em seus discursos e pronunciamentos, citaram Francisco de Assis como aquele que é um exemplo de diálogo e de paz. A conhecida “Oração pela Paz”, atribuída ao santo, revela a necessidade constante de todos os cristãos serem instrumentos de paz, levando amor onde há ódio, perdão onde há ofensa e união onde há discórdia.

Fr. Augusto Luiz Gabriel, ofm

Religioso franciscano da Ordem dos Frades Menores. Graduado em Filosofia pela Centro Universitário de Curitiba (PR) (FAE), atualmente cursa o quarto ano de Teologia no Instituto Teológico Franciscano em Petrópolis (RJ)

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