O pecado

O ser humano, essencialmente desde o seu início, foi constituído para ser feliz e viver uma vida justa, mas o pecado é uma realidade que constantemente afeta a vida, dificultando a sua realização completa. O pecado, pela ótica religiosa do mal, explica os motivos dos pecados na história da humanidade, tendo seu início no judaísmo e continuando com o cristianismo.

É preciso compreender que essa ideia de pecado se instala no Antigo e no Novo Testamento, pois, pelas religiões e, claro, pela teologia, Deus é o autor da vida e da criação. Sendo assim, Ele é um Ser que se relaciona com o mundo e, principalmente, com o ser humano. Nesse sentido, a negação dessa relação com Deus — ou seja, a infidelidade ao pacto ou à aliança — desemboca no pecado.

Portanto, o pecado diz respeito ao que afasta o ser humano de Deus. Assim, o desamor, a revolta, a traição, a infidelidade, entre outros, são elementos cruciais do pecado que não agradam a Deus. Além disso, levar uma vida pecaminosa corresponde a um mal a Deus, e a pessoa humana torna-se um ser corrupto.

A Sagrada Escritura, do Antigo ao Novo Testamento, nos conta o que leva o ser humano a pecar, quais os meios e os fins desse ato, e por que o pecado praticado causa insatisfação por parte de Deus. A pessoa se torna prisioneira de si mesma, perdendo assim a sua liberdade, tendo em vista que todo o mal que o ser humano realiza é pecado.

Vemos isso claramente nos textos bíblicos, sejam eles do Antigo ou do Novo Testamento. Isso se dá pela ação humana: quando boa e justa, agrada a Deus; quando má e injusta, acarreta pecado e ofende a Deus.

O pecado original, definido precisamente por Santo Agostinho, apresenta dentro do conceito de pecado original o pecado originário, aquele das origens da humanidade, ou seja, o pecado de Adão, que se encontra no primeiro livro do Pentateuco, e o pecado originado, aquele que contraímos desde a nossa existência. Portanto, é assim que Agostinho define o pecado original.

Sendo assim, o pecado original deixa uma inclinação para o mal, sendo um abuso da liberdade. Neste caso, a pessoa humana, que possui a liberdade, deveria ser coerente com suas condutas, pois, quando isso não acontece, ela fica fragmentada, visto que o pecado é uma agressão à própria dignidade humana.

Existe também o pecado social, que é o mal presente nos vícios sociais, nas nossas leis, porque tanto os vícios quanto as leis estão diretamente presentes na vida cotidiana das pessoas, deixando-as, assim, a serviço ou, podemos dizer, como escravas do sistema.

Além disso, percebem-se as opressões, os roubos, as mortes, causadas pela ganância e pelo prazer de ver os pequenos, os menos favorecidos, à mercê de uma sociedade que não visa o outro como pessoa humana, mas como mercadoria descartável. Esse talvez seja o maior pecado social que temos na nossa sociedade.

Por fim, apesar de toda a realidade de pecado — seja ela originária ou social —, Deus mantém uma relação de amor, visto que Ele estabeleceu uma aliança e é fiel a ela, mesmo diante da infidelidade da pessoa humana.

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