O som do Coração Divino

Atualmente, temos enfrentado uma grande turbulência em questões existenciais. Parece que as teorias, em geral, foram, aos poucos, sendo psicotizadas pelo distanciamento entre teoria e prática. Seria o excesso de ideias nas redes sociais? Eu não sei. A única coisa que posso dizer é que, simplesmente pelo fato de poder observar e escutar tanto os meus pacientes, alunos de música e todas as pessoas com quem convivo, chego à conclusão de que estamos em um processo de psicotização por falta de viver a vida como experiência.

No entanto, o ato de cantar é uma das experiências de vida mais profundas que se conhece no ser humano. Não se sabe quando e como o canto se desenvolveu nos processos emocionais da vida humana. O que se tem certeza é que o canto atravessou o tempo e, até hoje, é uma das melhores formas de alinhamento do ser humano com a vida, com o equilíbrio e com a necessidade de uma existência corporal e mental mais saudável.

A Igreja tem sua história fincada no ato de cantar e, mais do que cantar, trata-se de cantar com o coração. O Evangelho traz uma estrutura que exige do cristão a experiência emocional daquilo que se canta como oração, aliás, não existe oração sem a coerência entre palavras e atitudes e ficou bem claro que não adianta absolutamente nada “honrar com os lábios e estar longe de coração”.

Cantar de coração significa viver a vida de acordo com as palavras que se canta e cantar as vivências de amor consolidadas em comunhão. Não há canto litúrgico sem comunhão com o outro. A presença do outro nos coloca em uma situação de cura: o outro é aquele que não sou eu, assim, saio do meu narcisismo para ir ao encontro do amor mútuo. Cantar é realidade.

Desse modo, as melodias devem unir corações, acalentar as angústias, dar sentido à vida e conduzir o coração do cristão ao mais sábio dos sentimentos, a esperança. Sejamos esperança hoje e sempre, no coração de Jesus.

Facebook
WhatsApp
Email
Imprimir
LinkedIn