Voz, Vida e Cuidado: O Chamado do Julho Verde

Todos nós já ouvimos falar sobre o Setembro Amarelo (mês da valorização da vida), o Outubro Rosa (mês da prevenção do câncer de mama) e o Novembro Azul (mês da prevenção do câncer de próstata). Todavia, pouco se fala — ainda que seja um tema de grande relevância para a saúde pública — sobre o Julho Verde e a prevenção ao câncer de cabeça e pescoço.

Esse tipo de tumor tende a se desenvolver na cavidade oral, nos seios paranasais, na faringe, na laringe e nas glândulas salivares. Tamanha é a importância estrutural dessas regiões que, dentro da medicina, desenvolveu-se uma subespecialidade da cirurgia geral chamada Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Embora essa especialidade não trate apenas de tumores malignos, tem papel central no diagnóstico e no tratamento desses cânceres.

Segundo o INCA, são registrados cerca de 40 mil casos por ano no Brasil, sendo o câncer de boca o quinto mais comum entre os homens. Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, o etilismo (uso abusivo de álcool), a infecção por HPV (geralmente transmitida por via oral) e a má higiene bucal.

Os sintomas costumam ser silenciosos no início e facilmente negligenciados: feridas que não cicatrizam, rouquidão persistente, dor ao engolir, nódulos no pescoço ou sangramentos inexplicáveis. O diagnóstico precoce faz toda a diferença — tanto para o prognóstico quanto para a preservação de funções essenciais, como a fala e a deglutição.

O Julho Verde nos convida a dar atenção a sinais sutis e a valorizar medidas simples de prevenção, como parar de fumar, moderar o consumo de álcool, manter a saúde bucal em dia e procurar avaliação médica diante de alterações persistentes.

Falar sobre isso é dar voz à saúde. E quando damos voz à saúde, damos também uma chance à vida.

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