Identidade em fragmentos: o impacto do Alzheimer

Memória: esse é o nome que damos à função psíquica responsável por registrar, armazenar e trazer à tona informações e experiências pelas quais passamos. Imagine, no entanto, que, por um infortúnio, você passa a não mais se lembrar de datas, locais e pessoas importantes, mas não só isso: passa a não mais se recordar com clareza nem mesmo de si e de sua própria identidade. É como se a história da sua vida fosse sendo apagada, pedaço por pedaço, até restarem apenas fragmentos soltos, incapazes de formar um quadro por completo.

Essa triste realidade é vivida por milhões de pessoas no mundo que sofrem com a doença de Alzheimer, uma enfermidade progressiva que afeta o cérebro e leva, pouco a pouco, à perda de memória e de outras capacidades intelectuais. Não se trata apenas de “ficar esquecido” com o passar dos anos, o mal de Alzheimer vai muito além do envelhecimento natural. Ele altera a maneira como a pessoa pensa, sente e se relaciona, comprometendo também funções como a linguagem, o raciocínio e até mesmo a capacidade de realizar tarefas simples do dia a dia.

Para as famílias, acompanhar esse processo é doloroso: o pai que já não reconhece o filho, a mãe que esquece a própria casa, o avô que, sem perceber, perde-se pelas ruas. Ao mesmo tempo é também um convite a redescobrir o amor e a paciência, oferecendo cuidado, presença e dignidade até o fim.

Ainda que o mal de Alzheimer possa apagar lembranças, ele jamais conseguirá apagar a essência e a bondade da pessoa que apresenta a condição, por isso, cada gesto de cuidado, cada palavra de carinho e cada oração possuem valores eternos, que nenhuma doença será capaz de destruir.

Facebook
WhatsApp
Email
Imprimir
LinkedIn